O avanço tecnológico vem provocando mudanças profundas sobre a forma como a sociedade se organiza e o modo como as pessoas se relacionam, dentro e fora do trabalho. Sentimos isso em pequenas novidades no dia a dia, muitas vezes sem nos darmos conta do alcance que essas alterações trazem consigo. O fato é que, de um dia para outro, passamos a pagar contas pelo celular ou a usarapps para nos orientar no trânsito, chamar um táxi ou fazer uma reserva de hotel.
O próprio ambiente de trabalho sofreu impactos a partir da facilidade com que trocamos mensagens de qualquer ponto, a qualquer hora. Estão aí, para servir de exemplo, as experiências de equipes que trabalham com lideranças e times em locais remotos, assim como os projetos desenvolvidos por equipes multidisciplinares, localizadas em diferentes partes do globo.
É um mundo ao mesmo tempo mais flexível, mais ágil e mais forte, no qual nossas capacidades compartilhadas se expandem de forma exponencial graças à tecnologia. É também um mundo 24/7 – no qual os dispositivos digitais nos demandam 24 horas por dia, sete dias por semana.
Abraçar essa mudança é, ao mesmo tempo, uma necessidade e um desafio. Principalmente para aqueles que carregam consigo as experiências e expectativas de um mundo mais estratificado. Porém, precisamos nos dar conta que a digitalização e a desintermediação – dois corolários desse mundo virtual que nos envolve mais a cada dia — têm a força e a inevitabilidade de uma onda global.
Arrisco a dizer: em uma década, nenhuma empresa conseguirá ser competitiva, se não deixar para trás velhos pressupostos ou se não dispuser de profissionais modernos, capazes de trabalhar em ambientes cada mais colaborativos, com mais fluidez nas relações, menos hierarquia e onde e quando o negócio demandar.
Esse admirável mundo novo pressupõe uma nova cultura organizacional, na qual os profissionais terão, simultaneamente, mais liberdade e mais responsabilidades. Dentro de estruturas menos hierarquizadas e mais colaborativas, a demanda pelas capacidades de protagonismo e autogestão será muito grande. Nesse cenário, é possível imaginar, ainda, que as avaliações de desempenho se tornem um processo mais coletivo, alicerçado em feedbacks instantâneos. E as lideranças, em particular, terão um papel importantíssimo no sentido de organizar, motivar e manter engajados os profissionais certos para os projetos certos.
O que isso significa para nós e para nossas carreiras? Que temos uma oportunidade para nos destacarmos, se soubermos usar essa força a nosso favor. Mudanças geralmente são acompanhadas de temores e incertezas, mas o medo costuma ser mau conselheiro. Não existem ainda caminhos traçados e, provavelmente, eles serão construídos sobre escombros de alguns modelos de negócio e das atuais práticas, normas e leis que organizam mercados e a força de trabalho. Uma certeza, contudo, eu posso compartilhar com vocês desde já: os tempos do trabalho no formato nove às cinco (com todas as práticas tradicionais a ele associadas) em breve estarão, definitivamente, no passado.
