Acaba de ser aprovada e sancionada a reforma trabalhista, que altera cerca de 120 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), entre os quais a negociação entre patrões e empregados, férias e formas de contratação, como o trabalho intermitente e a regulamentação do home office.
A legislação existente, com fundamentos no início da industrialização brasileira, já não se mostrava adequada para balizar as relações de trabalho. Muita coisa mudou desde então e, embora tenha sido revisitada na Constituinte de 1988, ainda não atendia às mudanças que têm ocorrido no mundo do trabalho e às formas de produção geradas pelo avanço tecnológico e pela digitalização.
Ainda é cedo para avaliar todos os desdobramentos da reforma trabalhista, mas é importante salientar que ela aponta para o futuro, ao trazer mais flexibilidade a um ambiente de trabalho marcado pela disrupção. Para quem não teve contato com essa palavra e o contexto em que vem sendo utilizada, ela descreve inovações resultantes dos avanços tecnológicos e da digitalização, criando novos mercados de consumidores e desestabilizando empresas líderes em seus setores.
Disrupção é, portanto, a grande ameaça (e oportunidade) para as empresas, que precisam se reinventar para não desaparecer. Esse movimento de transformação exige uma força de trabalho com domínio de novas habilidades, trabalhando de formas diferentes das tradicionais, dentro de padrões mais flexíveis, que possam se adequar aos momentos de crise e não sobrecarreguem o empregador.
Nesse ambiente disruptivo, mesmo profissionais bem-sucedidos não tem garantias de empregabilidade. Ele demanda um mercado de trabalho novo, cada vez mais distanciado das profissões e funções tradicionais e, principalmente, do modelo de carreira para o qual nos preparamos, com passos planejados para se sucederem, um após o outro. É natural, portanto, que fiquemos apreensivos diante de tantas mudanças. Ainda assim, acredito que o melhor que temos a fazer é nos esforçarmos para vislumbrar as oportunidades que elas oferecem.
Mesmo diante de um cenário com muitas incógnitas, o primeiro passo nesse sentido aponta para desenvolver as competências que irão sustentar nossa empregabilidade e apoiar o nosso crescimento. Os novos tempos exigem agilidade, capacidade de inovação e flexibilidade. Demandam, sobretudo, as qualidades que tornam os profissionais mais aptos a aprender, tais como: colaboração; iniciativa; humildade para reconhecer o que não sabem e pedir auxílio na execução; desapego às ideias preconcebidas; e capacidade de aprender permanentemente.
Vamos olhar para o futuro e encontrar nele o nosso lugar!
